Advogada de Xangri-lá foi ferida no ataque a acampamento pró-Lula

Segundo Márcia Koakoski, o Acampamento Marisa Letícia sofreu ameaças de morte antes do atentado

A advogada Marcia Koakoski, 42 anos, viajou 618 quilômetros de Xangri-Lá, até a capital paranaense, onde planejou ficar três dias no Acampamento Lula Livre. Queria prestar solidariedade ao ex-presidente Lula, preso desde 7 de abril.

Márcia, que estava acampada há dois dias, foi uma das vítimas do ataque a tiros que aconteceu ao acampamento Marisa Letícia, em Curitiba, na madrugada de sábado (28).
Porém, por volta de 3h45, segundo registro de câmeras de segurança divulgados pela polícia, um homem caminha a pé até o acampamento e dispara, fugindo em seguida. A polícia encontrou seis cápsulas de pistola 9 mm no local.

O sindicalista Jefferson Lima de Menezes, 38, que atuava como vigia, foi atingido de raspão no pescoço. Ele já deixou a UTI, mas não tem previsão de alta.

O delegado titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba, Fábio Amaro, informou que o suspeito chegou em um carro preto modelo sedan. Um inquérito foi aberto para investigar o caso e a Polícia Militar irá reforçar o policiamento no acampamento.

Para Koakoski, o tiroteio era uma tragédia anunciada, não só pelas constantes ameaças sofridas pelos acampados, como também pelo discurso de ódio e acirramento político que ela vê propagado. “As pessoas consideram que o Lula é ladrão e quem defende o Lula é ladrão; o Lula tem que morrer, então quem defende o Lula também tem que morrer”, diz.

Ainda no sábado, Koakoski voltou para casa. Ela havia chegado ao acampamento na quinta (26). Viajou com uma amiga em um ônibus fretado pelo PT. Ela afirma que não é filiada atualmente a nenhum partido político, mas que decidiu sair do Rio Grande do Sul para ir ao acampamento para entender e apoiar uma causa que acredita: de que a prisão de Lula foi injusta.

“Nós vivemos em um país em que ninguém está livre. Eu não sou uma ameaça para ninguém, não estou criticando ninguém, tenho uma vida comum. Quando eu resolvo apoiar uma situação que me é de direito, eu viro alvo de um atirador.”

Matéria: Ado Andrade
Foto: Gibran Mendes

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