Maioria no país, negros são 35% dos candidatos a prefeito registrados

Fábio Pozzebom/Agência Brasil

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) recebeu mais de 546 mil candidaturas entre os cargos disputados para o pleito. Dos 19,1 mil que se registraram ao posto de prefeito, somente 35% são negros, em um país onde são maioria (56,2%) na população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para estas eleições, somados pretos (4,2%) e pardos (30,8%), os candidatos a prefeito negros são 6.703. Já os brancos são 12.110, ou seja, 63,2% do total. A lista se completa com amarelos (0,5%), indígenas (0,2%) ou candidatos sem informação de sua cor (1%). Entre os postulantes às vice-prefeituras, a maioria também é branca: são 59%, diante de 39% de candidatos negros.

Para a cientista política e professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) Rosemary Segurado, a maioria branca entre esses candidatos indica o que é o preconceito racial no país. “A inserção do negro na política tende a ser a expressão do que a inserção dos negros em outras esferas da sociedade”, aponta Segurado.

No entanto, ela acredita que não existe vontade por parte dos personagens envolvidos na política em mudar este panorama: “a classe política que manter a população negra fora desse processo”. O que há, na avaliação dela, é uma pressão grande dos movimentos negros para que a representatividade seja reconhecida e o negro tenha espaço na sociedade, de modo geral, e na política.

“O racismo é problema da sociedade brasileira, não é dos negros. Uma sociedade que não se reconhece racista até hoje, embora tenha práticas reiteradas de racismo. Uma delas é a subrepresentação dessa população”, conclui.

 

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