Infectologista esclarece dúvidas sobre o coronavírus

O coronavírus está na pauta das autoridades de saúde brasileiras e internacionais, além de
ganhar ampla cobertura nos principais noticiários em todo mundo. Com cerca de 400 vítimas fatais desde a origem da epidemia, sedo mais de 350 registradas na província de Hubei, na China,o tema tem mobilizado especialistas para dar esclarecimentos à população. Nessa entrevista, o jornal A Folha do Litoral traz a Dra. Cínthia Fonseca O’Keeffe, especialista em Infectologia pela PUCRS, para responder às principais questões sobre o assunto. A médica, que há sete anos trabalha no Hospital Santa Luzia, atua no Serviço de Controle de Infecções Hospitalares, e soma experiências como atuação com casos de H1N1.

 

A FOLHA DO LITORAL – O que é o coronavírus e qual a sua origem?

DRA. CINTHIA O’KEEFFE – Coronavírus, é na verdade, uma família de vírus, isolada pela
primeira vez em 1937, e descrita como coronavírus em 1965. São vírus que causam infecções respiratórias e intestinais em seres humanos e em animais. Todos os coronavírus que afetam humanos tem origem primária animal. Este vírus que se espalhou na cidade chinesa de Wuhan é um novo tipo de coronavírus, identificado no final de 2019 quando ocorreram vários casos de pneumonia em moradores da cidade de Wuhan.
A FOLHA DO LITORAL – Quais os principais sintomas?

DRA. CINTHIA O’KEEFFE – A manifestação da infecção pelo novo coronavírus é muito ampla, os sintomas podem variar desde um resfriado simples até uma pneumonia mais grave. Geralmente causa febre, tosse e falta de ar.
A FOLHA DO LITORAL – Quais as formas de transmissão e os principais riscos à população?

DRA. CINTHIA O’KEEFFE – Apesar de a infecção inicial ter sido transmitida por animais, já está evidenciada a transmissão de pessoa para pessoa. Acredita-se que a disseminação entre pessoas tenha ocorrido principalmente por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra, semelhante à maneira como a influenza e outros patógenos respiratórios se espalham.
Pela forma rápida de disseminação, este novo vírus é de grande importância epidemiológica e precisamos ficar atentos. No Brasil, até o dia 3 de fevereiro, ainda não havia caso confirmado da doença. Porém, a Organização Mundial de Saúde já lançou a informação de alto risco de pandemia. Cerca de 99% dos casos confirmados estão na China e, de acordo com o Centro de Controle de Doenças da China, o coronavírus já foi detectado em 26 países.
A FOLHA DO LITORAL – Quais os tratamentos existentes para pessoas infectadas?

DRA. CINTHIA O’KEEFFE – Ainda não existe vacina ou tratamento específico para este vírus. O tratamento realizado é de suporte, combatendo os sintomas da infecção.
A FOLHA DO LITORAL – Existem formas de precaução?

DRA. CINTHIA O’KEEFFE – A prevenção é basicamente como para evitar uma gripe. A higiene de mãos frequente é o mais importante. Também é recomendável evitar o contato com pessoas doentes que tenham sintomas respiratórios e que vieram de viagem da China
recentemente.
A FOLHA DO LITORAL – Em caso de suspeita, o que as pessoas devem fazer?

DRA. CINTHIA O’KEEFFE – Procurar atendimento na unidade de saúde mais próxima e
preferencialmente fazer uso de máscara até orientação.
A FOLHA DO LITORAL – O Hospital Santa Luzia está preparado para o caso de uma pessoa chegar com suspeita de coronavírus?

DRA. CINTHIA O’KEEFFE – Sim, estamos revisando semanalmente todas as orientações e protocolos do Ministério da Saúde e adaptando à nossa realidade.

Dra. Cínthia Fonseca O’Keeffe
Médica com especialização em Infectologia pela PUCRS
CRMRS: 33713
Atua há 7 anos no Hospital Santa Luzia como médica do Serviço de Controle de Infecções Hospitalares

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